ddd
Já reguei flores ao meio-dia. Já escrevi sobre dor e sobre Deus enquanto esperava em vão por um amor que não veio. Já ignorei paixões muitíssimo promissoras (mas essas, bem ou mal, são relegadas ao ostracismo). Vez ou outra, dou ouvidos à lembrança de um amor de primavera. Acontece rápido, geralmente enquanto conto carneirinhos. A descrição que se segue nada mais é que uma tentativa de traduzir o que sinto no instante em que minha mente desatina a divagar: primeiro, um gatilho, uma armadilha cruel de todo dia que desponta, singela e abatida, a beleza das cores terra e azul no meu imaginário. Uma música, uma palavra. Às vezes, basta um miado. Depois, vêm as memórias servidas como pratos quentes e mornos, uma mesa soberba, tamanho família, para suprir toda a minha fome de atenção, fome de tentação. Doce e terno é o gosto dos morangos, como carinho sobre pelo recém escovado. O cheiro das ervas e da chuva... Quase sempre, depois de todo esse alvoroço emocional, sobram as sementes e os grac...